Em 1754 ergue-se em Granada um dos melhores exemplos da monumentalidade barroca andaluz. A Basílica de São João Deus guarda a memória de vida de um Santo português e proclamado em Espanha. Nesta viagem, propomos conhecer a obra de São João de Deus e entrar no fascinante mundo do barroco andaluz.    

A primeira vez que preparei uma viagem a Granada, um sacerdote de Montemor descreveu-me aquilo que lhe parecia ser uma anormalidade – metade da população conterrânea não sabia quem era São João de Deus e a quase totalidade desconhecia a sua história e o seu legado. E, avisou-me, no final da viagem, haveria de vir a estranheza do lugar onde estão as suas relíquias. Bem-dito, bem feito. No final, o grupo revolveu-se com a ideia do Santo, devoto da pobreza,  da entrega ao próximo e de total despojamento, estivesse enfiado num ambiente de luxo e ostentação. Mereceria o Santo, depois de morto, irónico e perverso destino?  Uma vida deslumbrante e fascinante traída naquela cripta cheia de tanta talha dourada, espelhos, lâminas de ouro, relíquias e luminárias. De tanta curva e contracurva, de tanto brilho fica-se esmagado. Ninguém, nem o mais zeloso fiel fica acomodado. Trilhados, dia após dia, os anfitriões da Basílica, de tão habituados à mesmíssima questão, parecem imperturbados e tranquilos com o êxtase coletivo.

Construída entre 1737 e 1759, o Camarim, tal como toda a Basílica é um belíssimo exemplo do chamado barroco tardio andaluz. Pensada para servir como panteão glorioso e acolher as relíquias de São João de Deus, pai dos pobres e Patriarca da Caridade, os seus mentores e seguidores usaram a linguagem do seu tempo – o barroco. Na realidade, o objetivo era criar um monumento à Caridade e ao Amor de Deus nos moldes e preceitos da época.

O barroco enquanto movimento artístico não foi criado pela Igreja Católica, foi antes aproveitado pela hierarquia para fazer chegar a mensagem e relacionar o divino com o homem comum. Dirigido aos sentidos, jogando com a luz e o movimento das formas, a capacidade ilusória pretende impressionar, convencer e em consequência provocar um movimento de reflexão interior. Marcada por fortes contradições que se manifestam pelo parecer e ascetismo, poder e debilidade, o barroco corresponde a uma época de conflitos espirituais e religiosos. Como resposta ou reforma do concilio de Trento, traduz a tentativa de conciliar forças antagônicas: Bem e Mal, Céu e Terra, Pureza e Pecado, Alegria e Tristeza, Paganismo e Cristianismo, Espírito e Matéria, mas sobretudo, instruir e comunicar de uma forma fácil e imediata a mensagem. Com toda a pompa teatral, é uma tentativa de aproximação ao divino.

Não é assim de estranhar que os fundadores da Basílica tivessem usado a linguagem e seguissem o pensamento cultural vigente para adornar toda a Basílica. O propósito de edificar para doutrinar incluía a consagração da memoria de São João de Deus. As relíquias, complementaram a relação e mediação entre o terreste e o divino.

É nesse contexto de antagonismo e coerência que a Cripta se torna num lugar interessante e sensível.  A memória de um homem, adorado pela entrega aos pobres, um limosna (pedinte), desventurado e infortunado repousa numa nuvem de aparato e esplendor. Estas curiosa ironia do fausto barroco por oposição à vida despojada de São João Deus acaba por projetar e enfatizar ainda mais os dois universos. A tensão e estranheza que se cria no imediato pela associação e contraste da pobreza em vida e a opulência do adorno na morte, cruzam-se neste lugar, obrigando-nos a refletir no significado e valor histórico do barroco e no legado de São João de Deus. Opondo-se, valorizam-se. O Camarim de São João de Deus não é um lugar controverso, é um lugar de interpelação para conhecer melhor a vida de um Santo e um universo cultural complexo, que não só se apropria das formas clássicas, como também faz parte de um sistema de vida e pensamento que detém uma coerência própria.

Granada

Resumo de Viagem

Motivos: Camarim da Basílica de São João de Deus

Lugares marcantes: Abadia de Sacramonte; Sacrário e sacristia da Cartuxa; Madrassa; Gran Via

Esforço Físico: Fácil

20%

Nº de Pessoas: 15 a 20

50%

Dias: 4

40%

A Nossa Sugestão

Granada

Granada: Poucos lugares possuem a sedução de Granada, mito da cidade desejada, tantas vezes perdida e outras tantas conquistada, a sua condição de último bastião Al-Andalus e predominância da arquitetura e urbanismo andaluz contribuíram durante muito tempo para uma certa estética de romantismo exótico, dando uma imagem de uma Granada eternamente oriental. No entanto, à subtileza do urbanismo e monumentos islâmicos, juntaram-se a força dos edifícios clássicos, a singular arquitetura mudéjar, a ousadia deslumbrante da construção barroca e a aceitação de uma certa modernidade. A configuração deste aglomerado, faz de Granada uma cidade quase perfeita; cosmopolita, vibrante, cheia de juventude e pessoas de todas as origens na rua. Transborda vida.  Com dezenas de igrejas, palácios, mosteiros, bairros típicos, miradouros e sim o Alhambra, um dos 20 monumentos mais visitados no mundo, Granada festeja casamentos ao final do dia, celebra o Flamenco num tablao improvisado, enche-se em  praças no prazer da comida, vende-se no pequeno souk e sossega-se no recanto de uma teteria. Granada é uma egoísta que comemora a vida em si mesma.

Para além das visitas aos lugares de São João de Deus e aos monumentos mais icónicos, escolhemos quatro espaços que merecem especial atenção.  A escolha era difícil.

Abadia de Sacramonte: A Abadía del Sacromonte está localizada no cume do Monte. Por baixo da igreja estão as catacumbas, onde São Cecílio, o primeiro bispo e hoje Padroeiro da cidade de Granada, foi martirizado. Do mais notável, destacam-se os notáveis caixotões mudéjar na nave central, o transepto e a capela-mor, bem como o telhado renascentista de uma das dez capelas, todas feitas por Juan Vílchez. A fachada é um magnífico exemplar do Renascimento andaluz do final do século XVI.

Sacrário e Sacristia da Cartuxa: De acordo com o texto da Cartuxa, “a sacristia está envolta em forma abstratas e geométricas feitas em estuque que se estendem por todo o espaço. Realizada com exemplar execução, provoca um enormíssimo efeito ilusório. O efeito de grandeza ainda se torna mais intenso pela sua brancura, pelo espaço vazio, pelo jogo de volumes e pela profundidade do chão. A ideia desenvolvida por Bernini em Roma de unir arquitetura, escultura e pintura está aqui na Sacristia bem interpretado.

MadrassaEm 1333, o rei nasrida Yusuf I construiu em Granada a primeira universidade pública em al-Andalus, com o objetivo de divulgar a matemática, a astrologia, a literatura e outros ramos do conhecimento.
A universidade funcionou até pouco depois da reconquista, quando todos os livros da biblioteca foram queimados na rua e o edifício passou para as mãos dos cristãos. Esta velha madrassa adotou funções administrativas e sediou inúmeras reuniões do Cabido, o conselho municipal da época.
Sem dúvida, o maior atrativo da madrassa é o oratório. Embora a maior parte do edifício tenha mudado completamente a sua aparência devido a renovações contínuas, esta sala Nasrid conseguiu manter os seus arcos em ferradura, as cores originais e as treliças de gesso no teto.

Gran Via: Esta grande infraestrutura, que modificou o centro urbano de Granada, deve enquadrar-se nos grandes projetos urbanos desenvolvidos nas diferentes cidades espanholas e como consequência da Revolução Industrial, especificamente, a Gran Vía de Granada está ligada ao desenvolvimento da indústria açucareira na cidade e foi de grande controvérsia uma vez que dividiu a antiga medina muçulmana e significou o desaparecimento de edifícios históricos.

As construções não apresentam um estilo homogêneo e predomina uma mistura de estilos. Existem edifícios de influência francesa (edifícios da Caja Rural ou Cortefiel); outras de estilo historicista: neoplateresco (Palácio Müller), neogótico (Igreja do Sagrado Coração ou fachada do Convento de Santa Paula), neoclássico (Banco de Espanha) e modernista (maioria das casas) dos prédios erguidos nas décadas de 60 e 70.

Programa

1 de outubro de 2021

13.30h – Saída de Lisboa em direção a Sevilha.
20.30h – Hora prevista de chegada a Sevilha. Jantar e estada no hotel. MA Congressos Sevilha

2 de outubro

08.30h/09.00h – Pequeno almoço no hotel
09.00h / 12.45h – Visita guiada ao Metropol , Casa da Duquesa de Alba , Igreja de São Luís dos Franceses , Basílica de La Macarena
Almoço no hotel
15.30h/19.00h – Visita à Catedral e passeio pela cidade
Jantar e dormida no hotel MA Congressos

3 de outubro

08.00h/09.00h – Pequeno almoço no hotel
09.00h/ 12.45h – Visita à Basilicas de São João de Deus e museu de SJD
Almoço
14.00h/19.00h – Passeio pela cidade – visita à Catedral, centro da cidade e tempo livre
20.00h – Jantar e dormida no hotel La Luna Sercotel

4 de outubro

08.00h/09.00h Pequeno almoço no hotel  
09.00h / 12.45 h – Visita à Basílica de São João de Deus e museu de SJD, cela/quarto onde São João de Deus esteve no hospital     
Almoço 
14.00h/19.00h – Passeio pela cidade – visita à Catedral, Praça Bib Rambla e centro da cidade e tempo livre  
20.00h – Jantar e dormida no hotel La Luna Sercotel  

5 outubro

07.30h – Viagem de Granada para Córdoba. Paragem em Córdoba. Visita e almoço livre
13.30h  – Viagem de regresso a Lisboa. Paragem em Montemor- o- Novo durante uma hora. Continuação de viagem até Lisboa

Condições

A viagem a Granada, é organizada pela Fundação São João de Deus.  
As inscrições devem ser feitas junto das Fundação São João ou Deus
– sandra.silva@fsjd.pt ou junto da Sacro – info@sacro.pt

Devido à situação pandêmica, e no caso de não se poder realizar a viagem, será divulgada nova data. A decisão será tomada até 15 de Junho. No caso de cancelamento da viagem e para pagamentos já efetuados até esta data, os valores serão totalmente devolvidos.  

Tarifa: 582€ por pessoa em quarto duplo
Suplemento single: 75€

Condições de pagamento:
1ª prestação – 50% 15 de junho
2ª prestação – 50% 15 de setembro

Condições de cancelamento:
Cancelamentos sem custos até 15 de junho
A partir da data de 15 Junho todos os cancelamentos não serão reembolsados. Serão devolvidos valores no caso das razões de cancelamento estarem protegidas e incluídas no seguro de viagens (ver condições gerais).

O que inclui: Bus para toda a viagem; estada de 4 noites nos hotéis referidos; 7 refeições (4 jantares e 3 almoços); entradas nos monumentos mencionados; visitas guiadas em todos monumentos e locais; acompanhamento de guia da Sacro; seguro de viagem.  

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