Um dos mais extraordinários Papas da história da Igreja Católica, João Paulo II, nasceu a poucos quilómetros de Cracóvia, na cidade de Wadowice. Nesta viagem à Polónia, dar-lhe-emos a conhecer a terra natal de Karol Józef Wojtyła,  e de alguns sítios intimamente relacionados com a sua vida. Viajamos ainda, até Varsóvia para conhecer o museu que lhe foi dedicado.

A memória mais remota que tenho de um polaco, é a imagem da personagem Mike Stivic da série americana Uma Família às direitas que estreou nos Estados Unidos em 1971. A personagem retratava um jovem académico, instruído, de ideias liberais e progressistas. Filho da contracultura dos anos 60, representava o bom senso e as alterações sociais que estavam a acontecer. Mike Stivic era também polaco. Na série, era o contraponto do sogro (Archie Banker) – trabalhador pouco instruído, conservador, chauvinista, pouco culto, machista e xenófobo.

Deixando de lado uma velha discussão (e que com Donald Trump no poder mantém-se actual) – porque razão Archie, o sogro, era tão popular pelo publico e Mike Stivic, sistematicamente humilhado e desprezado, o que me parecia certo era a ligação entre uma personagem que quase não tinha passado, não tinha casa, era órfão, vivia às custas do sogro e da mulher e o facto de ser polaco ( mais tarde percebi que a escolha pela personagem polaca não era só por estas razões). Mike Stivic era de algum modo a representação de uma nação que no último século fora invadida pelo menos duas vezes, perdera e ganhara parte do território, sucumbiu ao nazismo e ao comunismo e perdera a independência e capacidade de se governar. Mike Stivic, o homem instruído era um homem de uma nação sem casa.

Não é muito difícil de compreender a surpresa, quando em 1978, com forte apoio dos cardeais americanos, o polaco Karol Wojtyła foi escolhido para Papa. Curiosamente chegou a arcebispo de Cracóvia ultrapassando os vetos da nomenclatura comunista na Polónia.

Aclamado como um dos líderes mais influentes do século passado, João Paulo II tornou-se num dos Papas mais populares.  Conservador nos aspectos teológicos, revolucionou na forma. Representou para muitos polacos o carácter unitário do povo que se queria ver liberto de políticas e influências do Leste. Foi para os polacos a identidade e imagem de um país que via nele mais que um líder, uma segurança e protecção para uma nação que queria ser independente a autónoma.

O seu pontificado foi inovador na forma como se apresentou e disponibilizou para um mundo mais aberto e “global”. Percebeu a importância da palavra, da proximidade e sobretudo do sentido de pertença e comunidade que tentou introduzir no seu Papado.  O Papa João Paulo II foi em grande medida o reflexo de um polaco à procura da sua casa.

O objectivo da viagem não é “entrar” na mente e compreender a vida de João Paulo II – isso é bem mais difícil e complexo.  Tentamos, isso sim, através da vida de João Paulo II conhecer e visitar a história de Cracóvia e da Polónia  em especial a do  ultimo século.

Cambridge

Resumo de Viagem

Motivos: O papa João Paulo II e a sua vida na Polónia

Lugares marcantes: Casa de João Paulo II em Wadowice; Centro João Paulo II na Cracóvia; Santuário de Kalwaria Zebrydowska

Esforço Físico: Médio

50%

Nº de Pessoas: 15 a 30

50%

Dias: 5

40%

A Nossa Sugestão

Cracóvia: Santuário da Divina Misericórdia

Resumo: Um dos muitos sítios associados ao papa João Paulo II em Cracóvia é o Santuário da Divina Misericórdia, no distrito de Łagiewniki. Neste local sagrado, morada para os restos mortais de Santa Faustina,  presta-se tributo não só a esta mesma santa, mas também ao Papa polaco, que durante a Segunda Guerra Mundial rezou aqui todos os dias. Mas a devoção de João Paulo II pela santa não termina aqui: de facto, foi o pontífice que promoveu o seu culto, ao ter promovido o local a santuário em 1966, ano em que as relíquias de Santa Faustina são trazidas para a igreja e ao ter declarado em 1985 que o santuário era a capital da devoção da Divina Misericórdia . Santa Faustina viveu no início do século XX, e foi uma freira e mística católica que se destacou na história do Cristianismo pelas aparições e conversas que experienciou com Jesus, sobre as quais escreveria mais tarde no seu diário. Depois de ingressar num convento, a futura santa ordenou e supervisionou a pintura de um ícone de Jesus segundo a maneira como Ele lhe tinha aparecido, ícone que se tornou um objecto de devoção. O santuário integra o convento do século XIX onde viveu Santa Faustina e a nova basílica, começada em 1999 e visitada por milhões de peregrinos todos os anos.

Cracóvia: Centro João Paulo II

Resumo: A cinco minutos a pé do Santuário da Divina Misericórdia está outro dos locais sagrados mais importantes da cidade e o maior santuário no mundo dedicado ao Papa João Paulo II e, por isso, um sítio incontornável neste programa em homenagem ao pontífice. O Centro João Paulo II, começado em 2008, complexo arquitectónico vasto que  integra diferentes edifícios, entre eles capelas, igrejas e instituições católicas como o Instituto João Paulo II. O estilo do santuário é moderno e despojado, mas luminoso e acolhedor, inspirando a pureza, decorado com diversas imagens do papa que lhe dá o nome. Entre os locais favoritos pelos peregrinos que vêm orar a este santuário, está o altar onde se guarda o sangue do papa, a Igreja das Relíquias e a Igreja de Baixo.

Cracóvia: Palácio do bispo

Resumo: O último local que destacamos na lista como ligado a João Paulo II, na Cracóvia, é o Palácio do Bispos, estrutura arquitectónica existente desde finais do século XIV. Historicamente a sede residencial da cúria e também dos monarcas da Cracóvia, o Palácio dos Bispos é também o segundo maior palácio da cidade. Mas apesar da longa história, a característica que torna este monumento ainda mais célebre entre os locais e os turistas é o facto de ter sido aqui a residência de João Paulo II durante os anos de 1958 a 1978, nos seus tempos de cardeal. Nos seus dias iniciais enquanto sacerdote,  durante a Segunda Guerra, o futuro Papa também morou aqui enquanto ingressava no seminário clandestino da cidade. O aspecto actual do palácio corresponde às remodelações que se lhe fizeram ao longo dos séculos, após uma série de incêndios que foram devastando o edifício ao longo dos tempos.

Varsóvia: Museu de João Paulo II e Primaz Wyszyński

Resumo: O Museu João Paulo II e Primaz Wyszyński  tem, através de uma abordagem profundamente pedagógica, o objectivo de transmitir o legado dos dois principais líderes católicos polacos – o pontífice e o Cardeal Wyszyński –  com base numa narrativa histórica que também procura dar a conhecer o contexto cronológico em que ambos viveram. O nascimento desta instituição acontece em 2010, segundo iniciativa do arcebispo Nycz, estando desde então instalada no mesmo edifício do Templo da Divina Providência. A museografia desta instituição também revela alguma modernidade, construindo-se o discurso museológico acerca dos dois prelados, dando ênfase a eventos históricos específicos do século XX, objectos audiovisuais e outras obras de arquivo.

Wadowice: Casa de João Paulo II

Resumo: Um dos principais centros de peregrinação polacos ligados à vida de João Paulo II está situado numa cidade a cerca de 50 quilómetros de Cracóvia. A razão para a atracção de tantos peregrinos a esta cidade é o facto de esta localidade, Wadowice, ser a terra natal do papa. Em Wadowice existe ainda hoje a casa onde nasceu e na qual viveu com a sua família até 1938, hoje convertida em museu e aberta ao público. Por ter sido a casa onde nasceu e cresceu, este pode ser talvez o mais íntimo e especial museu dedicado ao pontífice. Vários objectos que fizeram parte do quotidiano da família Wojtyła foram guardados e são hoje artefactos do museu.  Perto do museu é ainda digna de nota a igreja da cidade, onde ainda se encontra a pia baptismal onde o futuro papa foi baptizado em bebé e ainda a escola secundária que o pontífice frequentou.

Santuário de Kalwaria Zebrzydowska

Resumo: Como último item desta lista dos monumentos que desejamos destacar, integrados neste programa da viagem a realizar à Polónia no seguimento dos passos do papa João Paulo II, sublinhamos ainda a importância de se conhecer o Santuário de Kalwaria Zebrzydowska, um dos mais queridos locais de oração do Papa João Paulo II, perto de Wadowice. Em 1602, a construção de um mosteiro foi iniciada no local, complementando-se o projecto com a modelação de um Calvário que memorizasse, homenageasse e reencenasse os caminhos da Paixão de Cristo em Jerusalém. Já há época da construção deste mosteiro, hoje de proporções colossais, existiu a necessidade de se fundar também uma cidade que respondesse à afluência de peregrinos que ali iam. As razões para a atractividade que este mosteiro tem para com peregrinos polacos e estrangeiros é, além da ligação ao Papa e da beleza do complexo arquitectónico, a presença de um ícone do século XVII da Nossa Senhora do Calvário, ao qual já foram atribuídos alguns milagres. Um deles, sucedido em 1641, foi o de a pintura verter lágrimas.

Igrejas e mais Igrejas

Cracóvia é muitas vezes comparada a Roma pelas cerca de cem Igrejas que dela fazem parte. Foi, durante séculos o centro religioso e cultural, dividindo sucessivamente com Varsóvia a autoridade política e governamental.  Não é fácil fazer uma escolha, mas para quem faz uma visita curta à cidade não deixamos de propor a visita à Igreja de São Francisco fundada no séc. XII de estrutura Gótica com os impressionantes vitrais e a decoração de Art Nouveau do séc. XIX. Outra igreja imperdível é a Basílica de Santa Maria um dos símbolos maiores de Cracóvia e situada na praça principal da cidade – a multiplicidade de estilos é o retrato da arte e do gosto ao longo dos séculos. Por falar em ícones da cidade não podemos deixar de visitar a Catedral de Wawel  e descodificar o Renascimento italiano de Bartolomeo Berre. Com tempo ainda se pode cruzar e entrar na Igreja de Corpus Christu ou a Igreja dos Dominicanos.

Fora de Rota

Resumo. Para quem visita Cracóvia, um dos aspectos mais interessantes da cidade é a quantidade de belíssimas livrarias que funcionam ao mesmo tempo como cafés. É bem possível passar uma tarde fora da agitação da cidade numa destas livrarias num ambiente calmo e sereno. Destas, destacamos, a Lokator que entre milhares de livros serve um razoável café ou o Massolit Café.

Lugares

Resumo. Imprescindível não passearmos pelo bairro Judeu e pelo bairro de Kazimierz, tentar entrar na Sinagoga Antiga, visitar o quarteirão chamado Tytano onde despertam lojas e restaurantes ou o bairro de Nowa Juta com os últimos vestígios da arquitectura soviética ou simplesmente passear pelo antigo cemitério de Rakowicki.

À volta de Cracóvia

Resumo. Não podemos falar em Cracóvia sem deixar de mencionar a visita ao campo de concentração de Auschwitz.  Símbolo do horror nazi, é hoje o mais conhecido e visitado campo e concentração. A história do local fala por si e é testemunha de uma realidade não muito distante no tempo.

Outro dos lugares considerados como essencial é a mina de Sal que fica nos arredores da cidade. Com cerca de 300 km de galerias e corredores, a mina começou a funcionar no séc. XIII e manteve-se em actividade até 2007.  Tornou-se numa gigantesca cidade subterrânea onde cabem um sem número de serviços  e onde até casamentos são celebrados.

Museus

Resumo. A museologia que propomos em Cracóvia é bem diversificada quanto ao tema. Desde a fabrica de Schlinder que ficou famosa com o filme de Spielberg, ou o museu de arte do séc. XIX, passando pela casa de Jozef Mehoffer com o seu belíssimo jardim. Como sugestão, talvez ainda o museu da história judaica na Polónia – Galicja Jewish.

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