Roma é das cidades que, no mundo, tem uma das histórias mais importantes para a humanidade, desde a sua fundação lendária por Rómulo e Remo, o seu estabelecimento sede do Império Romano e o seu estatuto como sede do papado, perpetuando-se a fama de Roma como a cidade dos apóstolos, santos e mártires. A nossa proposta é conhecer a rota das Sete Igrejas Peregrinas de Roma, estabelecida em 1553 pelo Santo Filipe Néri e, assim, revisitar algumas das narrativas, locais e relíquias fundamentais da História do Cristianismo.

Numa Europa, e, em parte, Ásia e África, dominada pelo Império Romano, um novo paradigma religioso começava a afirmar-se com a revolução que Jesus iniciara. Depois da Sua vida e morte, rapidamente a nova fé se expandira até ao seio do Império Romano. Várias comunidades cristãs brotaram em Roma, vivendo num secretismo que lhes tinha sido imposto pelas violentas perseguições a que estavam a ser sujeitos. Assim nascem as catacumbas, para que os cristãos se pudessem sepultar sem quebrarem os seus rituais religiosos em segredo. Durante este período fizeram-se muitos mártires, nomeadamente Santo Estêvão, São Lourenço, São Sebastião e tantos outros, cujas criptas e relíquias são hoje acomodadas e protegidas por igrejas integradas neste itinerário.

São Pedro é um dos mais importantes desses mártires de Roma: após a sua crucificação pelo Imperador Nero, o santo, um dos principais líderes do Cristianismo primitivo, tornou-se para a Igreja o seu primeiro papa. Cristo tinha-lhe dito que “tu és Pedro (petros), e nesta pedra (petra) construirei a minha Igreja (…); Dar-te-ei as chaves do Reino dos Céus (…)”. Assim, São Pedro é a primeira pedra da sucessão apostólica e do poder institucional do papado, antecessor de todos os papas. Por esta razão, a Basílica de São Pedro assenta sobre seu o túmulo, num acto de enorme simbologia teológica para o Cristianismo.

A Basílica de São Pedro é o ex-libris daquele que seria, no século XVI, o itinerário desenvolvido por São Filipe de Néri para a cidade de Roma. Esta rota das “Sete Igrejas Peregrinas de Roma” teve como objectivo incentivar a experiência espiritual cristã comunitária através da decoberta deste património e herança dos santos, apóstolos e mártires; assim, São Filipe de Néri organizou estas visitas em conjunto com amigos para, antes do anoitecer, se juntarem e visitarem as igrejas. Após cada visita, oravam, cantavam e o santo dava um breve sermão. Estas pequenas peregrinações pelas sete igrejas peregrinas – a de São Pedro, São Paulo, São João de Latrão, Santa Maria Maior, São Lourenço, Santa Cruz e São Sebastião – popularizaram-se durante a quarta-feira da Semana Santa em vários pontos do mundo, juntando-se a peregrinação religiosa ao interesse cultural pela antiguidade e arte cristã.

Cambridge

Resumo de Viagem

Motivos: Conhecer as Sete Igrejas Peregrinas de Roma

Lugares marcantes: Basílica de São Pedro de Roma; Basílica de São João de Latrão; Basílica de São Paulo fora de muros

Esforço Físico: Médio

30%

Nº de Pessoas: 15 a 35

50%

Dias: 3

40%

A Nossa Sugestão

Basílica de São Pedro

Resumo: Ao contrário do que muitos pensam, a Basílica de São Pedro em Roma, a maior igreja do mundo, não é nem a igreja-mãe do Catolicismo nem a catedral da Diocese de Roma. É, contudo, uma das mais sagradas igrejas do Catolicismo e, ainda que não seja a sede oficial do Vaticano, é-o simbolicamente. Um dos maiores centros de peregrinação do mundo, é aqui que o papa preside uma variedade de celebrações litúrgicas durante o ano, juntando multidões de dezenas de milhares em toda a praça de São Pedro. A sua história é quase tão antiga como a da Cristandade: construída sobre o túmulo de São Pedro, o líder dos apóstolos de Cristo e o primeiro bispo e papa de Roma, a igreja existe desde o tempo do imperador Constantino (306-337 d.C.). A actual igreja, talvez a maior obra-prima do Renascimento e Barroco do mundo, veio a substituir a igreja medieval que ali tinha sido erguida desde o século IV. A igreja medieval levantou-se por cima do Circo de Nero, segundo ordens do imperador Constantino. Até ao século XVI, a igreja medieval de São Pedro seria alvo de ampliações e reformas, ganhando progressivamente mais importância no universo cristão; mas após períodos de abandono, nomeadamente durante a transferência do papado para Avinhão, a estrutura começou a arruinar-se. O papa Júlio II promoveu por isso um programa para construir uma nova basílica de raiz. Os planos que vingaram foram os de, principalmente, três mentes brilhantes do Renascimento italiano: Bramante, Rafael e Miguel Ângelo. O resultado final foi uma basílica massiva em cujo exterior e interior imperam a harmonia e equilíbrio de volumes, cheios e vazios, luz e sombra traduzidos especialmente no uso de mármores. A cúpula da basílica, uma das suas imagens de marca, alcança um total de 136,57 metros, constituindo-se até hoje como a maior cúpula do mundo.

Basílica de São Paulo fora de muros

Resumo: Se a Basílica de São Pedro está ligada ao local de sepultamento e às relíquias do apóstolo do mesmo nome, o mesmo acontece com esta relativamente a São Paulo. O imperador Constantino, que oficializa o Cristianismo como religião do Império e que se revelou um ardente devoto da fé católica, ordena no século IV a construção da basílica de São Paulo sobre o local onde o apóstolo tinha sepultado. A partir do século IV, o programa decorativo em mosaicos do interior da basílica é iniciado, marca que constitui uma das mais distintivas características da basílica até aos dias de hoje. À basílica associaram-se dois mosteiros que existiam nas proximidades desde antes do ano mil, e um gracioso claustro foi construído para as estruturas monásticas no século XIII. Em 1823, uma tragédia assolou a Basílica de São Paulo: enquanto um operário arranjava o telhado, começou um incêndio que devastou quase toda a basílica. Os papas entenderam que a reconstrução do edifício devia respeitar a sua aparência anterior e, portanto, utilizaram-se todos os elementos que tinham sobrevivido ao fogo. Assim, as colunas, mosaicos, vitrais, pavimento e tudo o resto foram reconstruídos com base na originalidade da basílica. O túmulo de São Paulo permanece num sarcófago de mármore debaixo do altar-mor, tornado visíveis aos fiéis desde 2006.

Arquibasílica de São João de Latrão

Resumo: Ainda que a Basílica de São Pedro seja mais conhecida e considerada a principal igreja da Cristandade, na verdade é a Arquibasílica de São João de Latrão a que detém o lugar no topo da hierarquia de todas as igrejas, sendo a única arquibasílica que existe e a mais antiga basílica do mundo ocidental. No seu interior guarda-se a cathedra do papa e porque é esta igreja a catedral da diocese de Roma. A sua existência está ligada ao romano e pagão Palácio de Latrão, posteriormente doado pelo Imperador Constantino ao bispo de Roma. Esta basílica palaciana tornou-se assim a sede da diocese e do papado, e o seu palácio foi a residência papal durante bastante tempo, antes de passar para o Vaticano. Durante o papado de Avinhão, a arquibasílica foi vítima de dois incêndios que a arruinaram no século XIV e, consequentemente, a igreja e o palácio começam a ser alvo de reconstruções e renovações a partir do século XVI. Alguns objectos e elementos arquitectónicos na igreja testemunham, porém, os períodos antecedentes às reformas ali executadas, tais como o cibório do século XIV, e a relíquia do altar de madeira usada por São Pedro que constitui o altar-mor do santuário.

Basílica de Santa Maria Maior

Resumo: A origem desta basílica, do século IV, está ligada a uma lenda que dá um dos outros nomes pelo qual ela esta igreja é comumente conhecida – a de Nossa Senhora das Neves. Segundo conta a lenda, durante o pontificado do papa Libério (no século IV), um casal de patrícios prometeu doar todos os seus bens à Virgem, pois não tinham herdeiros, e, portanto, pediram à Senhora que lhes indicasse como o poderiam fazer. Estávamos a 5 de Agosto, no pico do Verão, quando caiu neve durante a noite, no sopé da Colina Esquilina. O casal, assim, sabia que aquilo tinha sido um acto divino, e no local onde caiu a neve, construíram uma das primeiras basílicas dedicadas à Santa Maria. Outro dos nomes da igreja, a de Santa Maria do Berço, deve-se à relíquia que aqui se guarda – a manjedoura da Natividade do Menino Jesus. A estrutura actual da igreja corresponde à construção feita no século V, de grande antiguidade, e o seu interior é adornado pelas mais variadas preciosidades, entre elas mosaicos bizantinos do século V (que têm das representações mais antigas da Virgem), colunas atenienses de mármore que foram reutilizadas dos templos pagãos, os frescos da Capela Borghese, bem como um célebre ícone da Virgem que salvou a cidade da peste, supostamente pintade pelo próprio São Lucas.

Basílica de São Lourenço fora de muros

Resumo: A Basílica de São Lourenço começou como um pequeno oratório construído pelo Imperador Constantino que marcava o lugar onde São Lourenço tinha sido sepultado em 258, após o seu martírio através de uma grelha por ter desafiado o imperador. Actualmente, continua a ser um dos mais célebres santos e mártires católicos. Este pequeno oratório assume maiores proporções no século VI, quando é convertido em igreja e, no século XIII, é ordenada pelo papa a construção de uma segunda igreja dedicada ao mesmo santo, em frente à igreja antiga. Estes dois edifícios seriam unidos numa só estrutura. Além dos tesouros artísticos que a igreja guarda, tal como um significativo ciclo de frescos medievais que retratam a vida e martírio de São Lourenço, o pórtico do século XIII, os dois sarcófagos romanos, os mosaicos bizantinos do século VI e outros, existem outros tesouros, de natureza mais espiritual: as relíquias e criptas de várias pessoas que aqui foram enterradas ou depositadas, nomeadamente as do papa Santo Hilário e as do primeiro mártir da igreja – Santo Estêvão.

Basílica de Santa Cruz em Jerusalém

Resumo: Esta basílica detém uma das mais valiosas colecções de relíquias de toda a cidade de Roma, incluindo três fragmentos da Vera Cruz, um dos seus pregos, um fragmento da inscrição INRI, dois espinhos a coroa de Jesus, um pedaço da esponja com que O limparam, um dos dinheiros pagos a Judas, o dedo de São Tomé que tocou nas chagas de Cristo e um dos pedaços da cruz do Bom Ladrão. A antiguidade desta casa de culto cristã é outro dos seus pontos de interesse: recuando até ao ano 325, o propósito da sua construção deveu-se à intenção de se guardarem as relíquias trazidas pela Imperatriz Santa Helena, mãe do Imperador Constantino (que oficializa o Cristianismo como religião do Império) da Terra Santa. A Imperatriz ordenou que se cobrisse o chão da nova igreja com a terra trazida de Golgotá em Jerusalém, facto do qual deriva o título deste santuário – Basílica de Santa Cruz em Jerusalém. O pavimento da igreja deriva do seu período românico, mas outros elementos da igreja testemunham diferentes períodos históricos, tais como os mosaicos do século XV e a estátua de Santa Helena, que deriva de uma antiga estátua romana da deusa Juno. Actualmente, a igreja assume um estilo barroco.

Basílica de São Sebastião fora de muros

Até ao ano jubilar de 2000, esta basílica estava incluída no itinerário de São Filipe de Néri, sendo posteriormente substituída pelo Santuário da Nossa Senhora do Divino Amor. Decidimos incluir a proposta tradicional de São Filipe por causa de algumas características que tornam esta igreja incontornável. Construída pela primeira vez no século IV, o propósito deste santuário foi o de criar uma igreja dedicada a São Sebastião, um dos mais populares santos do Cristianismo ocidental, e às suas relíquias. A igreja posiciona-se por cima das catacumbas onde o mártir foi sepultado no século III e, coincidentemente, os dois apóstolos Pedro e Paulo, o que explica o nome original desta basílica como a “Basílica dos Apóstolos”. O edifício actual reporta-se a uma construção essencialmente do século XVII, sendo uma das suas capelas a Capela das Relíquias, que guarda uma pedra onde estão gravadas as pegadas de Jesus relacionadas com episódio do “Quo Vadis?”, e ainda uma das setas que atingiu São Sebastião e parte da coluna à qual o mártir foi atado.

Agende a Sua Viagem

Descreva as Actividades e Locais que pretende visitar e receba um orçamento sem compromisso.

Leave a Reply