Existem muitas intrigas que marcaram a vida da população florentina, mas há uma delas que penetrou o imaginário popular com a ajuda de filmes de cinema, séries de televisão e até mesmo videojogos: estamos a falar da conturbada Conspiração dos Pazzi que abanou o quotidiano dos habitantes da Florença do século XV.

No sábado de 26 de Abril de 1478, decorria calmamente a missa na Duomo de Florença. A ela assistiam 10 000 florentinos e Juliano e Lourenço de Médici, governadores da República de Florença. Os dois signori não sabiam o que lhes esperava: entrando em rompante pela catedral, dois assassinos armados atacariam os irmãos, sobrevivendo apenas um deles: ao fugir dos atacantes, Lourenço escapa fechando-se na sacristia. Simultaneamente, as milícias dos Pazzi tentavam apoderar-se do Palazzo della Signoria, sede do poder local, mas sem sucesso. A conspiração tinha falhado miseravelmente.

Os Médici ocupavam a governação de Florença desde a primeira metade do século XV, formando-se uma prestigiada dinastia que se mantém soberana até 1737. O poder desta família, por vezes tirânico, não prosperaria sem inimigos: sendo Florença uma das repúblicas mais poderosas da Europa, muitos cobiçavam a sua administração. Mas a família rival Pazzi foi mais longe do que qualquer outro adversário dos Médici, reunindo o apoio do papa Sisto IV, do rei de Nápoles e do arcebispo de Pisa para o desenvolvimento de uma conspiração para derrubarem os Médici.

Lourenço de Médici não se conteve nas punições contra os conspiradores, perseguindo brutalmente os seus culpados: esperava-lhes a execução pública e a exposição dos seus cadáveres, suspensos pelos pescoços na fachada do Palazzo della Signoria; a confiscação da propriedade dos Pazzi e a sua expulsão da cidade; a supressão do seu nome e heráldica dos edifícios, ruas e registos públicos. Aqueles com o indigno apelido tiveram de o alterar e os que estavam casados com algum Pazzi estavam proibidos de exercer cargos públicos. De Abril a Outubro do mesmo ano, cerca de 80 pessoas acabariam executadas por multidões ou oficiais pelo seu envolvimento nesta trama. Os seus cadáveres seriam profanados, arrastados pelas ruas, decapitados e ridicularizados por motins. O nome Pazzi seria, enfim, destruído e a Casa de Médici fortalecia-se no poder.

Os locais onde se viveu esta conspiração em Florença serão os pontos de destaque no programa que agora propomos, tais como a Duomo, o Palazzo Pazzi, o Palazzo della Signoria e o Palazzo Bargello, entre outros sítios imperdíveis da cidade. A este programa juntaremos as visitas a outras duas cidades incontornáveis de Itália – Veneza e Bolonha –, das quais destacaremos em baixo locais de referência obrigatórios incluídos neste itinerário.

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Resumo de Viagem

Motivos: Saber mais sobre a Conspiração dos Pazzi ocorrida em Florença no século XV e os sítios da cidade ligados a este evento

Lugares marcantes: Galleria degli Ufizzi de Florença; Basilica di San Domenico de Bolonha; Chiesa di Santa Maria Gloriosa dei Frari de Veneza

Esforço Físico: Médio

50%

Nº de Pessoas: 15 a 35

50%

Dias: 5

40%

A Nossa Sugestão

Florença: Galleria degli Ufizzi

Resumo: Detentores do maior banco europeu no século XV e de negócios noutros domínios, os Médici foram dos principais mecenas da época, comissionando trabalhos aos melhores artistas italianos da época. A Galleria degli Uffizi, um dos mais importantes museus de arte de Florença e do mundo, é constituída grosso modo por essas antigas colecções dos Médici. O edifício do museu é começado em 1560 por Giorgio Vasari, segundo financiamento de Cósimo de Médici, para acomodar os escritórios dos magistrados da cidade e algumas das coleccções da família. Desde o século XVI que estas colecções já eram ocasionalmente abertas a alguns curiosos. Uma das mais especiais características do museu é o corredor desenhado por Vasari, estendido ao longo da ponte Vecchia durante um quilómetro até à antiga residência dos Médici, o palácio Pitti. Mas a verdadeira atracção da Galleria degli Uffizi são as obras de arte que alberga, pois aqui estão expostas algumas das principais obras-primas do mundo, fruto do mecenato dos Médici: desde pinturas de Cimabue, Duccio de Buoninsegna, Giotto, Simone Martini, Paolo Uccello, Rogier van der Weyden, Piero della Francesca ao Nascimento de Vénus de Botticelli, à Virgem do Pescoço Comprido de Parmigianino, à Anunciação de Leonardo da Vinci, à Medusa de Caravaggio, à Vénus de Urbino de Tiziano e à Sagrada Família de Miguel Ângelo, entre muitos, muitos outros artistas e obras de arte de renome.

Florença: Capela Pazzi na Basílica de Santa Croce

Resumo: Na Basilica di Santa Croce está um dos poucos vestígios da presença dos infames Pazzi em Florença. Não seria de admirar que, antes do destino trágico desta família com a conspiração travada contra os Médici, uma nobre e rica estirpe de banqueiros como a dos Pazzi tivesse numa das mais prestigiadas igrejas da cidade uma capela própria, encomendada a importante artista – Filippo Brunelleschi, autor da cúpula da Duomo de Florença. Santa Croce era a principal igreja franciscana de Florença, com construção financiada pelas famílias predominantes da cidade. Nela guardam-se autênticos tesouros artísticos, incluindo trabalhos de Giotto, Cimabue, Donatello e Vasari, entre outros, estando também nela sepultadas importantes personalidades históricas, tais como Galileu, Leon Battista Alberti, Lorenzo Ghiberti, Maquiavel, Miguel Ângelo e Leonardo Bruni. A sua capela é fruto da encomenda de Andrea de Pazzi. Começada em 1429, Brunelleschi projectou um espaço com proporções harmónicas, segundo os ideais renascentistas. Lucca della Robia, outro artista renomado da época, produziu ainda trabalhos para a ornamentação do interior do espaço. A Capela dos Pazzi ficaria inacabada para sempre devido aos acontecimentos de 1478, quando decorre a tentativa de golpe de estado contra os Médici.

Bolonha: Basilica di San Domenico

Resumo: São Domingos, fundador da Ordem dos Pregadores, chegaria a Bolonha em 1218. Instala-se na igreja de San Nicolò a partir de 1219, onde morreria e seria sepultado em 1221. Esta igreja sofreria ampliações após a sua morte, transformando-se na Basilica di San Domenico e tornando-se o protótipo para muitas igrejas dominicanas no mundo. Esta divide-se em duas partes: uma igreja interna, reservada para os irmãos, e uma maior igreja externa, para a população. As relíquias de São Domingos estão lá guardadas num relicário exuberante feito por importantes artistas, incluindo Nicola Pisano, Arnolfo di Cambio e Miguel Ângelo. Para além deste tesouro, muitos outros ornam a igreja, incluindo trabalhos de Guido Reni, Guercino e Filippino Lippi. É de destacar ainda o museu da igreja, os frescos medievais (incluindo o retrato mais antigo de São Domingos) e renascentistas, os claustros, a biblioteca da Renascença com preciosos manuscritos e a antiga cela do santo, onde provavelmente morreu.

Bolonha: Reale Colleggio di Spagna

Resumo: Bolonha, cidade que se orgulha de ser o lar da mais antiga universidade do mundo, fundada em 1088, alberga também a maior antiga instituição espanhola em funcionamento, activa desde o século XIV. A sua fundação é da iniciativa do cardeal Gil Álvarez de Albornoz como faculdade para os estudantes universitários espanhóis, estando sob protecção régia da Coroa espanhola desde 1488. Este autêntico oásis espanhol no centro histórico de Bolonha, onde estudaram Santo Inácio de Loyola e Miguel Cervantes, é um dos mais belos edifícios da cidade. Ao longo de dois pisos que se organizam em torno de um pátio interior, predomina a estética medieval típica de universidades inglesas e francesas. Dos seus espaços interiores, destacam-se a antecâmara real, a capela de São Clemente e a Sala da Música, entre outros, devidamente decorados com frescos e mobília de várias épocas, bem como com diversas obras de arte.

•Veneza: Igreja de Santa Maria Gloriosa dei Frari

Resumo: Além da belíssima e célebre Catedral de São Marcos, existem outras opções de igual importância para incluir no seu itinerário por Veneza. Uma delas é a Chiesa di Santa Maria Gloriosa dei Frari, fundada pelos franciscanos em 1250. A altura do seu campanário só fica em segundo lugar relativamente ao de São Marcos. O aspecto despojado do exterior é enganador, pois no seu interior encontram-se autênticas preciosidades, entre elas pinturas medievais e renascentistas monumentais, em conformidade com as enormes proporções arquitectónicas da igreja, incluindo obras de Tiziano e Bellini; retábulos e esculturas que por todo o lado se dispersam, entre eles uma obra de Donatello; imponentes monumentos funerários, incluindo o de Canova, escultor que detém a autoria da afamada pintura do Beijo de Psique, e o do pintor veneziano Tiziano. Destaca-se ainda o incrível trabalho do coro em madeira e a abside da capela-mor, por onde a luz invade o interior da igreja através dos inúmeros janelões góticos.

Veneza: Scuola Grande di San Marco

Resumo: Outro dos mais interessantes e belos edifícios de Veneza, fora do circuito dos locais mais turísticos da cidade, é a Scuola Grande di San Marco, onde outrora se sediavam as seis maiores confrarias da região desde 1260. Quando um grande incêndio assola o edifício em 1485, um novo projecto arquitectónico é posto em curso por Pietro Lombardo, sofrendo acrescentos em épocas posteriores. O seu exterior é uma obra-prima executada em nichos e pilastras, estátuas e outros elementos decorativos com mármores de diferentes cores, alcançando-se um efeito visual único em efeitos de ilusão óptica que se coaduna com a linguagem do Renascimento. Evocando grandeza e superioridade artística, o seu edifício continua hoje adornado por todas as suas divisórias de frescos, pinturas, esculturas e outras obras de arte.  Destacam-se os textos esculpidos e totalmente adornados, a biblioteca e os as vitrines em madeira e vidro dos séculos XIX e XX dos polos museológicos do edifício, que expõem antigos objectos cirúrgicos e manuscritos de medicina.

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