Na catedral da cidade belga de Gante repousa o retábulo mais vezes roubado do mundo, vítima de 13 crimes, com uma história mais bizarra que a ficção: a Adoração do Cordeiro Místico de Jan van Eyck, completo em 1432 para a igreja de São Bavo.

Em 1432, o mundialmente conhecido pintor flamengo Jan van Eyck receberia uma encomenda de um rico mercador e presidente de Gante, Jodocus Vijd, para se fazer um novo e complexo retábulo de altar para a sua capela privada na catedral. Van Eyck encabeça esta realização de um retábulo com 20 painéis individuais, 3,5 m de altura e 4,6 m e comprimento, incorporando nesta obra-prima os mais recentes avanços artísticos da época, provando, assim, o pintor a sua genialidade. O rigor quase científico com que trabalhou o corpo humano, o espaço, as cores e a luz, com atenção ao real e ao detalhe, segundo a difícil técnica a óleo, fizeram desta obra a primeira grande pintura a óleo e um dos maiores tesouros da História da Arte.

Desde a sua criação, afluíram peregrinos e admiradores de arte para verem com os seus próprios olhos o retábulo, e uma coisa é certa: ninguém ficou indiferente à sua monumentalidade e beleza. O primeiro século de existência do retábulo foi pacífico, mas chegando o Protestantismo à Flandres, profundamente crítico da idolatria católica a imagens, romperam manifestantes dentro de São Bavo com a intenção de destruir o altar. Felizmente, a peça já tinha sido desmantelada por guardas, especialmente contratados para proteger a obra, e escondido o retábulo na torre da igreja.

A preciosidade desta obra-prima fazia com que fosse desesperadamente cobiçada por muitos, e Napoleão foi uma dessas pessoas: com a invasão da Flandres em 1794, as suas tropas roubam o retábulo e levam-na para o Louvre. Só a derrota de Napoleão em Waterloo garantiria a recuperação dos painéis para Gante. Mas o retábulo só descansaria intacto por um ano, pois em 1816 seria parcialmente vendido pelo bispo, acabando em Berlim, onde permaneceria até 1920. Com a derrota dos alemães na Primeira Guerra, o retábulo regressaria para casa, sofrendo, porém, um novo furto em 1934 pela calada da noite. Dos dois painéis roubados então, um continua até hoje perdido.

Nem mesmo Hitler resistiria à tentação de querer o retábulo para as suas colecções, e em 1942 as tropas nazis cumprem as suas ordens e capturam o retábulo quando este estava a ser enviado para o Vaticano para que lá ficasse melhor protegido. A obra de van Eyck terminaria escondida numa mina de sal alemã, juntamente com muitas outras, durante anos, correndo o risco de ser explodida pela dinamite dos nazis, que queriam a todo o custo ter estas obras de arte só para si. As tropas americanas seriam os heróis do altar de Gante, que em 1945 retorna ao ser lar e, até hoje, lá permaneceu finalmente em paz.

Neste programa, propomos uma viagem centrada no retábulo de Gante e nas outras obras-primas que fizeram da pintura flamenga uma tradição artística excepcional, começando a viagem em Bruxelas onde, conhecerá a cidade onde viveu Bruegel, génio da pintura de género, e na Antuérpia, onde visitará a casa de Rubens. Finalmente, na medieval Bruges, excelentemente conservada, conhecerá esse passado de ouro de uma das cidades mais ricas da antiga Flandres e ainda diversas obras-primas da pintura flamenga, nomeadamente o Juízo Final de Hieronymus Bosch.

Cambridge

Resumo de Viagem

Motivos: A pintura flamenga do Renascimento e o altar de Gante de Jan van Eyck

Lugares marcantes: Museu de Belas-Artes da Bélgica; Museu Memling de Bruges

Esforço Físico: Médio

20%

Nº de Pessoas: 15 a 30

50%

Dias: 5

40%

A Nossa Sugestão

Bruxelas: Museus de Belas-Artes da Bélgica

Resumo: Nos Museus de Belas-Artes da Bélgica, convidamo-lo, no âmbito deste programa sobre o Renascimento flamengo, a convidar o Musée Oldmasters cuja colecção de pinturas, estátuas e desenhos abrange os séculos XV ao XVIII, com especial enfoque na pintura flamenga. Nele, vai conhecer obras dos melhores mestres flamengos, reconhecidos mundialmente, incluindo Pieter Bruegel, Rogier van der Weyden, Robert Campin, Hieronymus Bosch, Anthony van Dyck e Jacob Jordaens. Além disto, visitará a sala Rubens, um espaço com mais de 20 pinturas pelo artista, de maneira a experienciar o brilhantismo deste autor e a sentir-se verdadeiramente arrebatado pelas suas pinturas que dominam completamente a sala.

Antuérpia: Casa de Rubens, Rubenshuis

Resumo: Rubens foi, no seu tempo, um dos artistas mais bem sucedidos, tendo recorrer a uma oficina com vários ajudantes para conseguir cumprir todas as encomendas que clientes realizavam por toda a Europa. Nascido em 1577, Rubens recebe uma educação renascentista humanista e torna-se um dos mais influentes pintores flamengos barrocos, incorporando elementos de arte clássica nas suas obras. Além de pintor, Rubens falava várias línguas, era diplomata, cientista amador, colecionador de livros e aprendiz voraz. Todos estes traços da sua personalidade reflectem-se na sua casa na Antuérpia, a Rubenshuis, que propomos como ponto a destacar neste programa. O pintor compra uma casa para a sua família em 1610, grande o suficiente para poder ter ainda um estúdio – o maior da Europa na altura –, a sua colecção de livros e arte e ainda um jardim. Depois de sofrer significativas alterações após a morte de Rubens, a sua é ser recuperada ao seu estado original, tal como o próprio pintor a tinha projectado. Desta maneira, os visitantes têm a oportunidade de visitar o interior do lar de um dos artistas europeus mais célebres do mundo, conhecer o estúdio onde Rubens pintou a maior parte das suas obras, admirar a sua colecção e, ainda, o pórtico greco-romano e o pavilhão no jardim, desenhados pelo próprio artista.

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Antuérpia: Museu Plantin-Moretus

Resumo: Além de ser o único museu listado como património mundial pela UNESCO, a visita ao museu Plantin-Moretus é uma oportunidade única para conhecer uma antiga oficina de imprensa do século XVI. A imprensa, inventada na Europa por volta de 1439, foi uma autêntica revolução que alterou para sempre a maneira como a produção de livros, a comunicação e a informação se difundem. Neste museu, conhecerá as duas máquinas de imprensa mais antigas do mundo e perceberá como funcionavam as companhias de impressão na Flandres, um dos locais mais importantes na Europa para a indústria da imprensa durante o Renascimento. Este museu está sediado na antiga Officina Plantiana, fundada pelo impressor Christophe Plantin e herdada pelo seu genro Jan Moretus. Plantin era um renomado humanista que publicou a Bíblia Poliglota Platin, de oito volumes e com textos em hebraico, aramaico, grego e siríaco, uma das mais complexas produções do período. A firma atinge uma escala internacional com o sucesso de Plantin, abrindo ramos em Leiden e Paris. No museu, estão ainda em exposição as colecções de livros dos proprietários, algumas obras de arte e as antigas máquinas de impressão ao longo das salas que pertenciam à oficina e casa de Plantin, ricamente decoradas à época de ouro da tipografia.

Bruges: Museu Memling no antigo Hospital de São João

Resumo: Em Bruges está um pequeno museu num antigo hospital medieval que é uma jóia desconhecida: o museu de Hans Memling, um dos mais conceituados pintores flamengos do século XV, que, depois de se mudar da Alemanha para a Flandres, ganha sucesso enquanto pintor, morrendo em 1494. Quando vai para a Flandres em 1465 e trabalha com Rogier van der Weyden em Bruxelas, Hans torna-se um cidadão de Bruges. Após provável lesão em batalha em 1477, o pintor é acolhido pela Ordem de São João do Hospital, instalada em Bruges num hospital fundado no século XII para tratamento de doentes, pobres e peregrinos. Em forma de agradecimento aos frades, Memling pinta para si em 1479 e 1480 algumas obras de arte, tendo actualmente, o museu seis obras-primas do pintor. O complexo do antigo hospital mostra ao público as antigas salas medievais do hospital – um dos mais antigos da Europa –, expondo ainda outras obras de arte que faziam parte da colecção dos frades, alguns instrumentos médicos e uma antiga farmácia do século XVII.

Bruges: Museu de Gruutehuse

Resumo: Depois de fechado durante cinco anos, para que fosse profundamente restaurado e reestruturado, um dos museus mais interessantes de Bruges reabriu em finais de Maio de 2019. Em 1425, Lodewick van Gruuthuse, um alto oficial da corte da Burgúndia, inicia a construção do seu palácio urbano em Bruges, sendo hoje este espaço visitável. Para quem deseja conhecer a vivência doméstica urbana da elite flamenga, uma visita ao museu de Gruuthuse é indispensável. Nos seus interiores ricamente decorados, preservados no seu aspecto original do século XV e com as renovações do século XIX, com colecções de tapeçarias, pinturas, documentos e pratarias, este palácio é uma introdução às muitas histórias do passado da cidade.

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