O castelo de Carcassonne, hoje um tranquilo ponto turístico no sul de França, foi palco de eventos dramáticos durante a Idade Média: lutas contra os mouros, cercos e peste negra, heresias de cátaros e perseguições da Inquisição. Submetido depois ao abandono e ruína, o castelo acaba por ser salvo e recuperado no século XIX.

Conhecida como la ville aux deux cités, Carcassonne é composta pela cidadela e a Bastide de Saint-Louis, um burgo do século XIII. Contudo, é na cité amuralhada de Carcassonne que se concentra a sua principal atracção. O castelo de Carcassonne é composto por 52 torres espalhadas num duplo pano de muralha estendido ao longo de 3 km de comprimento tornando este um conjunto medieval único na Europa pelo seu tamanho e estado de conservação.

As histórias que se viveram nesta cidadela não são, porém, tão encantadoras quanto o castelo conhecemos. De romanos a visigodos e de visigodos a muçulmanos, os francos vêm, no século VIII, tomar a cidade de Karkashuna, segundo o linguajar árabe, iniciando-se,  no século XII, um dos períodos mais negros da vida desta cité, quando o rápido crescimento de um novo movimento alternativo cristão – o dos cátaros – expande-se e ganha adeptos em Carcassonne.

Os cátaros vieram pôr em causa a hierarquia da Igreja, os seus sacramentose materialismo, defendendo uma religião de fraternidade, igualdade e amor. Esta provocação desencadeia uma agressiva reacção da Santa Sé, que rotula os cátaros como hereges e ordena a Cruzada Albigense para a sua eliminação. As imponentes muralhas de Carcassonne resistiram contra os exércitos de cruzados que chegam em 1209 mas, tragicamente, a falta de mantimentos pôs fim ao cerco e todos os habitantes seriam submetidos a julgamento pelo tribunal da Inquisição. Os cátaros foram julgados e forçados a confessar os seus pecados e a arrependerem-se sob pena de serem queimados vivos, mas cientes das suas crenças e certos das suas convicções, muitos deles atiraram-se voluntariamente para as fogueiras. Milhares de pessoas perderam aqui a sua vida, e os cátaros acabariam aniquilados.

A cidadela de Carcassonne foi gradualmente perdendo a sua importância económica e política, sucumbindo à ruína. Com o espírito de interesse europeu pela preservação e restauro a partir do século XIX, um grupo de académicos põe mãos à obra num projecto que visava devolver o devido esplendor a Carcassonne. Restaurada a sua grandeza, Carcassonne seria em 1997 classificada como património mundial pela UNESCO, recebendo actualmente cerca de 4 milhões de visitantes por ano.

Cambridge

Resumo de Viagem

Motivos: castelo de Carcassonne

Lugares marcantes: Castelo Condal; Catedral de Saint-Nazaire

Esforço Físico: Fácil

20%

Nº de Pessoas: 20 a 45

50%

Dias: 1

40%

A Nossa Sugestão

Catedral de Saint-Nazaire

Resumo: De invocação dupla, em honra a São Nazário mas também a São Celso, a catedral da cidadela ocupa o local onde foi construída, no século VI, durante o reinado visigótico de Teodorico, uma outra casa de culto cristã. A sua actual construção data, na maioria, da campanha de obras do século XIII, época durante a qual se fabricam o magnífico ciclo de vitrais que adornam o interior da igreja. Os túmulos da catedral contam a história da cidade: um deles, o de Simon de Monfort, relaciona-se com a história do catarismo. Simon era líder da Cruzada Albigense e dedicado à Ordem Dominicana e à supressão das heresias. Ele foi tão odiado que o seu filho removeria o seu corpo do túmulo, ferveria os seus restos. Simon acabaria por ser assassinado, durante o cerco aos cátaros, em Toulouse pelas mulheres que atiraram um pedregulho que o esmagou. Esta história é narrada num interessante relevo que está no interior da catedral, a Pierre do Siège. Chamamos ainda a atenção para os frescos no interior da catedral e os restantes túmulos.

Castelo condal

Resumo: Como um castelo dentro de um castelo, o castelo condal de Carcassonne é edificado no século XIII por ordem dos condes de Trencavel, família que governava a cidade na altura. O edifício é um verdadeiro sistema defensivo medieval, rodeado por um fosso e protegido pela torre de vigia, a mais alta de toda a cidadela. Tem ainda seis torres e dois andados perfurados por seteiras para ao ataque de invasores, passagens secretas e mata-cães para se atirar óleo quente contra os inimigos. As suas estruturas são de estilo românico e gótico. No seu interior, são visitáveis as habitações dos condes e, no seu pátio, a arte medieval militar.

Musée Tresor de Notre-Dame de l’Abbaye

Resumo: Um museu menos conhecido em Carcassonne, mas igualmente relevante em relação aos restantes é o da antiga abadia, local de culto mais antigo da cidade que, em 1096, recebe a visita do papa Urbano II para a sua bendição. O museu alberga as antigas colecções do bispado de Carcassonne, podendo conhecer durante a sua visita manuscritos iluminados e frescos medievais, bem como outros objectos litúrgicos e ourivesaria.

Catedral de Saint-Michel

Resumo: Localizada na Bastide Saint-Louis, a catedral de Saint-Michel vem retirar, no século XIX, o título de sé à catedral de Saint-Nazaire na cidadela. É construída a partir do século XIII por ordem do rei São Luís, sendo dos únicos edifícios medievais da cidade baixa que sobrevivem ao incêndio causado pelas tropas do Príncipe Negro em 1355. A estrutura caracterizada pela utilização de um espaço amplo que se estende pela única nave da catedral, bem como abertura das capelas laterais, e o geral despojamento decorativo, são tudo componentes próprias de um estilo arquitectónico tardo-medieval difundido pelas ordens mendicantes. O espaço amplo e único facilitava a acústica no seu interior e, portanto, a própria pregação ou o sermão. É ainda de destacar o ciclo dos citrais coloridos e as discretas pinturas das paredes.

Canal do Midi

Resumo: A pitoresca vila de Carcassonne tem ainda como mais-valia a presença da água através do canal do Midi, aberto por Pierre-Paul Riquet na zona durante o século XVII, para facilitar o transporte de mercadorias e pessoas na zona, conferindo ainda mais beleza à cidade. O canal atravessa o coração de Carcassonne e constitui-se como um lugar favorito pelos turistas para passeios durante a tarde entre as árvores da margem e a água.

Ponte Velha

Resumo: No sopé da cidadela de Carcassonne encontrará outro dos locais mais encantadores do sítio, a pont vieux do século XIV com 12 arcos que conectava a cidade baixa à cidade alta. Durante a Idade Média, o arco central da ponte significava a união entre ambas as cidades, apesar das rivalidades; actualmente, o arco já não existe, mas ainda resta uma cruz com uma escultura de Cristo, bastante danificada. Nos dias que corre, a ponte velha de Carcassonne é um dos pontos ideais da cidade para um passeio, principalmente desde que se tornou uma zona pedonal, oferecendo uma vista privilegiada sobre toda a cidadela.

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