A sede da Cristandade ocidental não assentou sempre sobre o túmulo do apóstolo São Pedro, em Roma. Num dos mais conturbados períodos da Idade Média, cicatrizado pela guerra, fome e peste, a Santa Sé fugiu para a cidade francesa de Avignon. Lá viveram os papas e os antipapas, estabeleceu-se um novo Vaticano e construiu-se o Palais des Papes, o maior palácio gótico do mundo.

No século XIV, a autoridade da Santa Sé já não era a mesma e os seus crentes desencantavam-se com a corrupção da Igreja, originando violentos motins que assolavam Roma. Quando Clemente V é eleito, este novo papa toma a decisão inédita de se proteger da instabilidade de Roma e transferir a sede pontifical para Avignon em 1309, dando início a uma sucessão de papas franceses que duraria 70 anos.

O Palais de Papes foi o palco destes eventos, tornando-se o centro da Cristandade ocidental. Em Avignon viveu-se uma vida política, cultural e artística intensa: vinham clérigos atraídos pela sua biblioteca – a maior da Europa naquela época –, humanistas como Petrarca, teólogos, compositores. Os melhores arquitectos de França trabalharam convictamente na sua construção, tornando-a num exemplar do estado da arte da arquitectura gótica do seu tempo. Com 10 torres e cerca de 15 000 m2, o Palais atingiu o estatuto de maior edifício gótico do mundo. A sua dimensão fazia frente à sede papal romana, transformando o palácio de Avignon um símbolo de poder, prestígio e autoridade que procurava legitimar a nova sede pontifical em França. Aqui, os papas franceses trabalharam na administração da Igreja ocidental, alterando a sua organização geral e centralizando os serviços, e trabalhando com cerca de 500 clérigos e 1000 oficiais leigos. No seu interior, aflorava o luxo, com frescos, tapeçarias, pinturas, escultura e mobília sofisticada dos artistas mais proeminentes.

Em 1378, a Santa Sé regressa ao Vaticano e elege-se um novo papa italiano, Urbano VI, quem se tornaria rapidamente infame entre os cardeais pela sua hostilidade. Numa mudança de ideias, os cardeais elegem um segundo papa que se reestabelece em Avignon, dando início ao chamado Cisma do Ocidente e a uma complicada situação política e diplomática durante a qual chegaram a existir três papas em simultâneo. Estes eventos dividiram a Europa em facções, que ora apoiavam os papas de Roma ou os antipapas Avinhão. Só após 39 anos, quatro antipapas e muitos concílios é que finalmente se resolve o impasse do Cisma, com a eleição de um novo papa em 1417.

Cambridge

Resumo de Viagem

Motivos: o papado de Avinhão e o seu palácio pontifical

Lugares marcantes: Palais de Papes; Basílica de Saint-Pierre d’Avignon; Catedral de Notre-Dame de Doms

Esforço Físico: Fácil

20%

Nº de Pessoas: 20 a 45

50%

Dias: 2

40%

A Nossa Sugestão

Pont Saint-Bénézet

Resumo: A Ponte Saint-Bénézet, construída no século XII, sustém hoje um carácter místico ligada a lendas com santos e tradições com damas e cavalheiros. Originalmente enobrecida com 22 arcos, actualmente só tem quatro, após uma destruição massiva das cheias que, de século a século, inundam a zona. A capela de São Nicolau, de cerca do século XIII, sobreviveu. Nela se enterrou um santo que, segundo a tradição, era um pastor que levantou com força supra-humana, um grande bloco de pedra, após ouvir a voz de Cristo, inaugurando a construção da ponte.

Musée Petit Palais

Resumo: O Museu Petit Palais instala-se num pequeno palácio renascentista, integrado no complexo arquitectónico do Palais de Papes, mandado construir pelo papa Júlio II no início do século XVI. Quem visite o museu terá a oportunidade de verificar a existência das armas heráldicas deste papa, plasmadas por cima da entrara da fachada a Sul. Embora pequeno, o museu tem uma colecção significativa, essencialmente focada na pintura e escultura gótica e renascentista de artistas franceses e italianos. Tendo em conta que a esmagadora maioria destas obras foram encomendadas e patrocinadas pelos papas de Avignon, para as igrejas desta área, a visita ao Museu Petit Palais é indispensável a quem deseje aprofundar os seus conhecimentos acerca do controverso papado de Avignon.

Catedral de Notre-Dame de Doms

Resumo: A catedral da cidade data do século XII, incorporando, por isso, um estilo essencialmente românico no seu interior. O seu recheio artístico é de significativo valor: nela se preservam os frescos do afamado pintor gótico italiano Simone Martin, que trabalhou nesta cidade sob patrocínio dos papas de Avignon, um raro trono episcopal do século XII em mármore branco e ainda o monumento gótico ao papa de Avignon João XXII. São ainda de destacar os frescos quatrocentistas na capela baptismal e a estátua dourada da Virgem que, no exterior da igreja, estende as mãos aos fiéis.

Livrée Ceccano

Resumo: O cardeal d’Arrabloy construiu, na Idade Média, uma casa-forte na antiga abadia das senhoras beneditinas de Saint-Laurent, em formato de casa-forte, legando o cardeal Anibal Ceccano o seu nome ao edifício por ter contruibuído para grande parte do seu desenvolvimento no século XIV. A este edifício agregou-se um colégio jesuíta de 1564 e outro colégio de 1810, sendo em 1982 transferida a biblioteca municipal para lá. Quem visite actualmente a biblioteca municipal de Avignon, tem a oportunidade de testemunhar como eram os palácios cardinalícios dos prelados que viveram em Avignon durante uma das suas fases áureas – a do papado – e conhecer ainda, no piso da antiga biblioteca dos cardeais, as muito bem preservadas e raras pinturas que decoram os tectos de madeira.

Rue des Teinturiers

Resumo: A rue des Teinturiers, ou a rua dos Tintureiros, ganha o seu nome com a intensa actividade comercial têxtil que se desenvolveu nela a partir do século XIV. Nela viveu o cientista, humanista e poeta Jean-Henri Fabre no século XIX e residem os últimos vestígios da igreja onde estava sepultado o grande amor eterno de Petrarca, Laura de Sade. Esta indústria baseava-se na produção de lã e da seda, materiais posteriormente tingidos em vívidas cores pelos tintureiros da rua, tomando as oficinas têxteis de Avignon escala nacional a partir do século XV. A arte da seda, particularmente, tornou-se a partir do século XVI o grande negócio da cidade. O rio Sorgue estabeleceu uma íntima relação com as oficinas têxteis da rue des Teinturiers, utilizando-se a sua água para produzir energia para os moinhos e fábricas de seda através de 23 rodas de pás. Hoje, a rue des Teinturiers é a mais pitoresca do centro histórico de Avignon, ganhando vida através dos seus restaurantes, teatros e terraços, mas também pelo festival do mês de Junho que a enche de vida.

Basílica de Saint-Pierre d’Avignon

Resumo: A Basílica de Saint-Pierre d’Avignon é testemunho da época conturbada do papado da cidade, durante a qual os pontífices e outros altos dignitários da Igreja patrocinaram uma série de construções e encomendas artísticas para Avignon. Esta igreja, construída pelo cardeal Pierre des Prés em 1358, precedendo um anterior local de culto cristão que no século VII é destruído pelos muçulmanos, tem o seu interior preenchido com diversas obras de arte que atestam esse próspero período dos papas de Avignon. O seu coro em talha dourada e pinturas do século XVII é talvez das obras que mais se destacam no seu anterior, não descurando, porém, de outras peças de igual valor, tais como as portas esculpidas de madeira de nogueira datadas de 1551, por Antoine Volard, e ainda as relíquias do santo que dá nome à igreja, São Pedro de Luxemburgo, com as suas roupagens e chapéu de cardeal do século XV, guardadas dentro de uma moldura de vidro.

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